2006-11-02

Saudade




Quis desenhar, escrever sexta-feira
Que antes julguei cedo demais
E passei semana inteira
Perdido, soturno, sem eira nem beira
Tentando ocupar-me de coisas banais

Travou-me a vergonha e o mais que me impede
De rir ou sorrir é o tanto que tenho
Do pouco que exijo, o corpo me pede
A mente resiste e alma não cede
Vontade não falta, talvez o empenho

Fecho a porta, apago a luz
Mas nada me apaga a memória
Se nem o que escrevo, o que sinto seduz
Saber que em meu peito carrego esta cruz
É fardo pesado, para tão curta história

Ruga a ruga se tatua
Em minha pele tamanha saudade
De palavra despida, dita tão crua
De um beijo roubado na rua
Ou da certeza de uma amizade

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