
Imperturbável ou talvez nem por isso, deleito-me embalado pela imagem que com meus olhos nunca vi, a silhueta do teu corpo desprovido das vestes que na pressa do desejo te arranquei...
Quase entorpecido, quase embriagado pelo aroma emanado pelos teus movimentos, pelos teus gestos quase obscenos, seguramente sensuais, deixo-me levar pelo torpor quase imperial, imperativo dos mais irracionais instintos, que em mim insistem perpetuar, dominando-me...
Sigo ou paro? Vou ou fico?
Em análogas salomónicas decisões, julguei sempre melhor optar por suster a respiração, inevitavelmente ofegante, não raras vezes sufocando ímpetos tão inenarráveis como viciantes... mas hoje escolho arriscar, percorrer a pista da tua lágrima, perder-me no movimento sinuoso dos teus beijos, fundir-me no calor do teu corpo... hoje vou, embarco no comboio dos loucos rumo à terra dos sonhos, país dos intratáveis, incuráveis delirantes, donos de tudo e de nada... conto nunca mais voltar...
