2007-01-30

Espreita-me


Definho assistindo à atitude que ao mundo diriges
Pouco te interessa já o que penso
Para ti não vivo, sobrevivo... tudo corriges
Certo ou errado, que importa? Já nada defendo

Pago e não peço recibo ou talão
Empresto-me a quem me queira ouvir
Prometo não imitar o teu silencio... eu não!
Já passou! Agora só pesa o que está para vir

Guardas dúvidas? Tenho-as de sobra
Respostas tenho para quem as quer ver
Agastado, antes iluminado pela tua presença, pela tua obra
Fecha a porta, tudo bem, mas a cortina não queiras correr

Vê! Espreita... Espreita-me
Farei o que outrora contigo aprendi
Quando marcar o golo, aplaude-me
Sabes que o dedicarei sempre a ti!

2007-01-22

Escrevo, não escrevo


Não escrevo para sentir, pois não devo
Sinto para ter o que escrever
Leio o que digo mas só para aprender
A saber sentir aquilo que escrevo

Se muito penso pouco me entendo
Se não me percebo, penso demais
Quanto mais quero menos me lembro
E vou de Janeiro a Dezembro
Sem escrever duas frases iguais

Pouco me importa se escrevo a preceito
Mas se não escrevo tudo me interessa
Se faltam palavras, não penso na pressa
Não suporto nem quero escrever contrafeito

Se muito me peço a pouco me obrigo
Que pouco a pouco dá-me mais gozo
Não brinco com letras, mas elas comigo
Leio-me por dentro, mas sem olhar meu umbigo
Que olhar para mim mesmo deixa-me nervoso

Não quero ser muito, quero-me inteiro
Difícil de entender, fácil de definir
De alvo em movimento e tiro certeiro
A tempo do tempo que está para vir

2007-01-14

Vida... sem vida







Vejo-te aqui e ali cada dia
De olhar desatento, provocas quem passa
Finges não ver quem há muito te via
Na vida vazia, imunda, devassa

Do passo que usas conheço a razão
Para a dor que carregas solução desconheço
Nas costas a cruz e o terço na mão
Se a conduta reprovo, a culpa não te meço

Por todos falada, por poucos querida
Quem te o corpo conhece te quer esquecer
Diz o mundo e a gente que andas na vida
E eu só te vejo no mundo morrer

2007-01-02

Chuva que caí


A chuva que caí já não lava
De mim tão pesada vergonha
Que em minha pele cada dia se encrava
E do bolo me sai sempre a fava
Não fosse esta vida injustiça tamanha

No meio da rua ou no fim desta estrada
Caminho sozinho, sem fado nem norte
Perdi o tempo e fio à meada
Bolso vazio ou cheio de nada
Lanço a carta mais baixa e dados à sorte

Quem não rega suas flores
Só colherá o pó da estrada
Mente quem diz não sentir suas dores
E mata quem morre de amores
Chora quem vê sua jura ceifada

Derramado o leite, não há quem o beba
E quem o deseje não falta no mundo
Falta-me força, não falta quem deva
Deve-me o tempo segundos que leva
Quem muito alto voa, espera-lhe o fundo