
Não quero eu ouvir as novas
Que o vento norte me trás
São modas tristes, são trovas
Disfarçam truques e provas
E testa-las a mim não me apraz
Não trouxe espada nem escudo
Fortuna não tenho um tostão
Solto o grito e o gesto mudo
Nada tenho e queria tudo
E tudo o que agarro é em vão
O mais que sinto é um nada
Ao lado da pressa incontida
Simples ardil da mente engilhada
Que à falta de rumo é à sorte atirada
E me embarca esta noite, sem volta só ida
Ezequivel é o plano
Que oprime a verdade e a cala
Começa a luta e cai o pano
Que vestia a desgraça e o engano
De traje fino de festa e de gala
Não quero eu ouvir as notas
Que o vento a miúde me toca
Hino que exalta as difíceis derrotas
Que entrelaça caminhos e rotas
E o meu horizonte desfoca
Não me quero eu afundar
Na escura gruta do desentendimento
Mas antes agir e agitar
Que a preguiça de só estar, esperar
É a causa do meu sofrimento

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