2007-02-19

Ferida Aberta


Beijavas-me a testa
quando acordei de repente
Questionei “que vida esta?”
que tudo o que faço contesta
ao tanto que luto indiferente

Tentei mais de quantas vezes
sentar contigo, falar, perceber
mas percebi que minhas preces
não passam de esmolas, benesses
ao lado do orgulho que teimas manter

Teus ideais rejeito, discordo
de tantos nem lembro, os demais reprimi
Mas de noite confesso ainda acordo
e as palavras que mais me recordo
são as que de ti nunca ouvi

A letra troquei mas nunca o toque
retoco pintura da parede que ergui
Ergo a vela, queres vir a reboque?
Hasteio bandeira e se há quem se choque
não há quem não queira ao menos sonhar o que vi

Resignadamente inquieto me vejo
me afirmo tão firme, a tanto resisti
Sou planta rasteira mas nunca rastejo
e se perene minha alegria desejo
caducidade da tua, jamais a pedi

Desse tempo que passa se diz
Que tudo cura, assim seja feito
Lancei ao rio o sangue e o anis
outrora do peixe o chamariz
hoje apenas engodo ao teu respeito

2007-02-16

Eu e... eu!


Esperei por mim no fundo da avenida
No fundo, cheguei a achar que nem vinha
Quis até apostar, mas dinheiro não tinha
Lamentei o atraso e a hora perdida
Mas conheço-me bem, sei que a culpa é só minha

Ao chegar desculpei-me no mesmo instante
E embora o pensasse, não me quis criticar
Inventei uma história e deixei-me enganar
Mesmo desacreditado não quis ser distante
E sorri! - “Mais vale tarde, que nunca chegar!”

Logo enveredei pela conversa do costume
Irritei-me, estive mesmo para ir embora
Só não fui por ser eu, mas avisei que era hora
Já não há paciência para tanto queixume
De mim não levo nada! Para mudar que seja agora

Assim não dá! Não aguento mais
Jurei a mim mesmo a conduta alterar
E já agora a forma de estar e pensar
Que foram sempre atitudes iguais
As que me impediram de avançar

Alá-Riba, puxo por mim
É desta que avanço no mar
Puxo a corda que quero desancorar
Inquieto-me e busco por fim
Um caminho para navegar