2007-02-19

Ferida Aberta


Beijavas-me a testa
quando acordei de repente
Questionei “que vida esta?”
que tudo o que faço contesta
ao tanto que luto indiferente

Tentei mais de quantas vezes
sentar contigo, falar, perceber
mas percebi que minhas preces
não passam de esmolas, benesses
ao lado do orgulho que teimas manter

Teus ideais rejeito, discordo
de tantos nem lembro, os demais reprimi
Mas de noite confesso ainda acordo
e as palavras que mais me recordo
são as que de ti nunca ouvi

A letra troquei mas nunca o toque
retoco pintura da parede que ergui
Ergo a vela, queres vir a reboque?
Hasteio bandeira e se há quem se choque
não há quem não queira ao menos sonhar o que vi

Resignadamente inquieto me vejo
me afirmo tão firme, a tanto resisti
Sou planta rasteira mas nunca rastejo
e se perene minha alegria desejo
caducidade da tua, jamais a pedi

Desse tempo que passa se diz
Que tudo cura, assim seja feito
Lancei ao rio o sangue e o anis
outrora do peixe o chamariz
hoje apenas engodo ao teu respeito

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