2007-05-02

Fazer de Conta


Nunca quis fazer de conta
contei contigo para ajudar
Quem se à realidade desconta
e seus quês não interroga e confronta
poucos passos tem para dar

É que uma vez desencontrado
ter que andar contas do rio a largar
difícil não é que as movam de lado
e na volta de avesso virem o fado
de quem certezas não tem para dar

Quem não assume seus males, seus medos
grandeza atribui ao chão que o há de colher
e vê-se-lhe a vida escorrer entre os dedos
pois nem o mais rebuscado dos enredos
se assemelha ao dilema que lhe cabe resolver

Se bem que sempre encontrei no problema
altura ideal para encontrar solução
Pois flui em meu corpo elaborado floema
que alimenta o meu ego e me inspira o poema
me resolve o enigma, me responde à questão

Não almejo mais que um abraço
Nunca quis menos que um só
E só na paz do teu regaço
Fui capaz de quebrar o firme laço
que me prendia ao passado com dolo e sem dó

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